Cinema, Teatro e TV

Insatiable, a nova série problemática da NETFLIX


Pega o enredo: uma mina gorda sofre muito bullying no ensino médio. Daí, nas férias, ela emagrece, passa por uma banho de loja e quer se vingar de todo mundo que a tratou mal meses atrás. Esta é Insatiable, a nova série problemática da NETFLIX.

SOBRE INSATIABLE

A série, que é direcionada para o público adolescente, destaca todos os clichês que a pessoa gorda enfrenta: desleixada, feia, desesperada para perder a virgindade, que fica em frente a TV devorando tudo o que vê pela frente pela tristeza de ser gorda, de perder peso por problemas com a saúde e ainda ser parabenizada por isso, etc. Como se não fosse o bastante, Patty – personagem de Debby Ryan, ainda desfila uma silhueta gorda produzida a base de espumas e muito enchimento.

Insatiable - Netflix - Blog Carol Vayda

E se você está se perguntando aonde está o problema, acho que precisamos conversar.

PORQUE INSATIABLE É UM PROBLEMA?

Há algum tempo, a discussão sobre gordofobia e pressão estética vem tomando conta das redes sociais, o que é maravilhoso. Entretanto, ainda existe uma dificuldade muito grande das pessoas (no geral aquelas que estão dentro do padrãozinho) entenderem que o corpo do outro simplesmente não é da sua conta! Seja ele gordo, magro ou com qualquer característica que não nos lhes diz respeito. Assunto, inclusive, que sequer é levantado a produção.

Além de lidar com a falta de roupas com numeração estendida, poltronas e catracas apertadas, falta de equipamento para atendimento médico, como macas e cadeiras de rodas, a patologização do corpo gordo e ainda o terrorismo psicológico o qual é submetido todos os dias, o gordo ainda tem que se preocupar com o que vão pensar dele.

Diariamente sofremos ataques pelo simples fato de sermos gordos e desagradar as “opiniões” daqueles que cruzam nosso caminho. Tá achando que é exagero? Dá uma pulinho no perfil da Thais Carla, no Instagram: enquanto ela apenas se preocupa em mostrar o quão tranquila e feliz é a vida que ela leva – como mãe, esposa, uma jovem mulher e profissional da dança – basta postar uma foto para ter seu corpo colocado em cheque e ser tratada como um objeto da depreciação alheia.

 


Recentemente, depois de ser capa de uma reportagem incrível da BBC Brasil, com uma foto onde aparecia de sutiã, barriga de fora e com a pele mais incrível que uma garota poderia ter (felicidade, meu amô!), a youtuber Alexandra Gurgel, do canal Alexandrismos, foi alvo de uma enxurrada de ataques de seguidores de um conhecido apresentador de TV, que compartilhou a notícia fazendo uma “piada” com o corpo dela.


No início de 2017, Pepê, um ex-participante do programa “Além do Peso” – reality show de emagrecimento da Rede Record, morreu após enfrentar uma cirurgia bariátrica. Um ano antes, na Irlanda, uma criança de 11 anos se matou por sofrer bullying na escola. Segundo a mãe, ela já havia tentado suicídio outras vezes e, em uma delas, chegou a escrver com o próprio sangue “garotas bonitas não comem”.

Quando uma empresa tão poderosa quanto a NETFLIX produz uma série como esta, ela não apenas reproduz esteriótipos, ela diz que é normal atacar pessoas que não estão no padrão que é vendido pela sociedade, que podemos chamar preconceito de “opinião” e que é aceitável ver pessoas morrendo pelo simples fato de não serem magras ou por quererem ser magras para serem menos alvos da maldade alheia.

O corpo gordo não é uma piada para ser tratada com graça. O corpo gordo não é uma doença para ser irresponsávelmente medicado e tratado com cirurgia . O corpo gordo não é objeto de desgraça do indivíduo para ser rechaçado e enojado.

O corpo gordo é apenas o corpo gordo e, assim como  qualquer outro, merece respeito.

Dona NETFLIX, a senhora errou rude, errou feio.

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3 Comentários

  • Reply Fernanda Rodrigues 25 de julho de 2018 at 20:38

    É complicado ver uma série dessas sendo indicada para um público jovem, que ainda está começando a entender o que é o mundo. É uma pena que as pessoas ainda queiram interferir no corpo do outro.

    Espero que a gente (humanidade) consiga melhorar nesse quesito.

    Beijos,

  • Reply Bela 2 de setembro de 2018 at 13:21

    Essa série é ridicula! Eu assisti até o fim e fiquei o tempo todo indignada com as piadas não só gordofóbicas mas também exagerando sobre o mundo LGBT.
    É difícil ver em pelo 2018 coisas como essas ainda serem lançadas.
    A Bela, não a Fera | A Bela, não a Fera no Youtube

    • Reply Carol Vayda 4 de setembro de 2018 at 09:59

      A única coisa que consola é que o povo realmente se incomodou. Isso já é um pequeno e importante começo.

      😉

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