Aceitação, Plus Size

ADEUS DIETA!


Se você acompanha o blog, sabe que durante um bom tempo meu objetivo de vida era ser fitness; era entrar naquele jeans 38, usar o menor biquíni da humanidade e nunca mais ser apontada como a gorda da turma. Em dezembro, depois de conhecer o POP PLUS e conversar com uma galera, percebi que era hora de me libertar, me aceitar e gritar bem alto:

ADEUS DIETA!!

Me tornar magra era um sonho de infância, algo que eu almejava desde sempre. Me lembro de quando tinha 7, 8 anos e abriu uma academia na rua de trás de casa, eu pedi para a minha mãe me matricular e, obviamente, ela não quis. Mas, mesmo assim, frequentei durante um bom tempo as aulas de aeróbica clandestinamente. Só parei quando o dono veio me perguntar quando minha mãe iria fazer minha inscrição.

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Me olhar no espelho, desde então, era um suplício! Tinha nojo de olhar minha barriga, usava roupas apertadas por baixo de outras mais largas para ninguém reparar no meu peso, faltava bater nas pessoas que me chamavam de gorda: “que absurdo, não sou gorda, apenas estou assim”.

Lembro de todas as piadas que fizeram sobre meu peso, de toda vez que me olharam com cara de dó quando perceberam que eu havia engordado e de cada comentário que os garotos faziam depois de eu mostrar interesse neles.

Certa vez, com um grupo de amigas em uma parada gay, em São Paulo, fiquei com um cara que se dizia australiano – com o maior sotaque de Piracicaba. Ele foi querido, trocamos telefone.. rolou uma química daora! Quando nos separamos, de uma forma nada discreta, ouvi o amigo dele gritando com voz nojo: “ERRRRG, VOCÊ PEGOU A GORDA? CREDO”

Carol Vayda no Edifício Martinelli, em São Paulo

A gorda.

Tudo isso, e outras muitas coisas, me fizeram acreditar que ser gorda era pior do que ser o cocô da mosca do cocô do cavalo do bandido.

Em 2013, logo quando comecei o Vayda Magra – meu projeto público de ser fitness, e depois de perder mais de 20 quilos (que ganhei de volta pouco tempo depois), comecei a perceber que era meio loucura viver em função de dietas e academia. Que era loucura contar calorias, comer quinoa e usar sal do Himalaia. Percebi que eu era bonita MESMO SENDO GORDA. Mas continuei, afinal as pessoas cobravam motivação e resultado da “Pugliesi” aqui. E você sabe no que deu, né?

Nestes últimos meses, tenho lido muito sobre como as pessoas se relacionam com o seu corpo (magro demais, gordo demais, alto demais, baixo demais….) e descobri pessoas incríveis que me mostraram o quanto é possível ser feliz sem ficar tentando entrar nos padrões.

O POP PLUS foi um divisor de águas para mim. Durante as horas que estive naquele evento, me deparei com pessoas muito mais gordas do que eu, pessoas que possivelmente sofreram muito mais discriminação ao longo da vida do que eu. Todas elas estavam ali, inclusive, muito mais a vontade e visivelmente mais felizes do que eu!

Minha primeira foto proposital de corpo inteiro. Uma conquista!

Minha primeira foto proposital de corpo inteiro. Uma conquista!

Depois de conversar com a Alice Ayres, do Madame’s Curves, saí para dar uma voltinha com o meu namorado e não consegui segurar aquele monte de sentimentos dentro de mim. Chorei, mas chorei como se fosse uma criança! Mas não chorei por que estava triste, chorei porque finalmente estava em um lugar onde não estava sendo julgada, muito menos tendo que me proteger da maldade dos outros.

Ali eu percebi o tanto de vida que desperdicei querendo ser o que os outros queriam que eu fosse. Foi ali que me dei conta que a única coisa que realmente importa é o que eu sinto e a forma que levaria minha vida a partir dali. 

Foi libertador!

O que quero dizer com tudo isso é que, não importa o que você faça, uma hora a sua ficha cai! Uma hora você passa entender que tudo que acontece é por um objetivo claro de te fortalecer. Durante anos, ser chamada de gorda era algo pejorativo, uma ofensa. Hoje, para mim, pejorativo é ser a “gordinha”, “fofinha”, “cheinha”, “fortinha”… não aceito!

Ainda estou dando os primeiros passos nesta nova fase de “poder próprio”, mas posso afirmar que é um caminho sem volta. Descobrir o amor próprio é o melhor entorpecente da vida!

ADEUS DIETA! EU NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ!!

 

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6 Comentários

  • Reply Fernanda Rodrigues 11 de janeiro de 2017 at 15:08

    Ouvi um amém, igreja?

    Você é linda e poderosa e eu acho um máximo que você se sinta assim, porque é isso que você merece! 😀

    Que venha mais e mais consciência e empoderamento e compartilhamento desse poder todo! 😀

    Beijos e queijos,

    • Reply Carol Vayda 14 de janeiro de 2017 at 02:05

      A igreja glorificou em pé, ermã! <3

  • Reply Nana 12 de janeiro de 2017 at 19:48

    kkkk adorei o início do comentário da Fê kkkk

    Realmente, é libertador descobrir que a gente é e aceitar isso! Eu ainda estou neste processo, nunca precisei lutar com a balança – pelo contrário, eu sofria por falta de peso e ser a “vareta”, “magricela”, “fósforo” da turma – e depois que me casei, ganhei 8 quilos que estão me fazendo muito mal. Pretendo, em 2017, cuidar mais da alimentação (nada de sal do Himalaia e quinoa kkk) e voltar para academia para melhorar as dores musculares que ando tendo. Parabéns pela nova atitude!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

    • Reply Carol Vayda 14 de janeiro de 2017 at 02:04

      É cada dia uma novidade, um brilho a mais! <3
      E por aqui também, muito arroz, feijão e poder!

  • Reply Alice Ayres Primo 13 de janeiro de 2017 at 10:04

    Sua linda… agora quem está chorando sou eu! Que maravilhoso saber que de alguma forma eu te ajudei… estamos aqui pra isso mesmo! É libertador ser livre e saber que podemos fazer e ser o que quisermos ser! Estou aqui pro que der e vier! Você é muito especial… obrigada!

    • Reply Carol Vayda 14 de janeiro de 2017 at 02:04

      Adorei te conhecer, Alice! Com toda certeza, a conversa que tivemos me ajudou muito! <3

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